Desmonte na saúde mental, temos parte nisso

O desmonte na saúde mental ganha intensidade agora, mas já vinha sendo articulado há tempos. O pior é saber que isso é legitimado por muitos profissionais da saúde mental que trabalham nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) espalhados pelo país. A lógica manicomial nunca saiu da maior parte desses trabalhadores. Quando são um pouco mais sensíveis são capturados pelo "encapsulamento", e não conseguem avançar para além dos muros desses centros e não avançam para a comunidade. Esbarram no encorajamento dos usuários, não promovem a participação popular e não conseguem a promoção da cidadania e da autonomia. Por isso é que assistimos a todos esses retrocessos, e não dá para ficar reclamando não, tem que lutar. Às vezes nos sentimos sozinhos nessa luta, porque parece que não faz sentido para a maior parte das pessoas que a Luta Antimanicomial e a Reforma Psiquiátrica só se sustentaria com o engajamento político dos nossos usuários e familiares, bem como de nós trabalhadores. Os trabalhadores estão atônitos, sem perceberem que vão perder seus lugares nos CAPS. O que mais precisa acontecer para saírem desse marasmo? Perdemos essa batalha, mas não perdemos a guerra. Fiz minha parte, e estou com a consciência tranquila nesse envolvimento com a participação popular. Teremos que tirar energia do fundo das nossas entranhas agora para resistir e refundar uma Segunda Reforma Psiquiátrica. Falo há muito tempo que para trabalhar na saúde mental não basta boa vontade, tem que ter desejo de mudança, sustentar a crise dos usuários na garra e na coragem, fazer enfrentamento árduo contra os donos dos hospitais e comunidades terapêuticas, e sobretudo enfrentar os burocratas "que ficam atrás da mesa com o cú na mão". Força! É o que mais precisamos!

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