PROGRAMA MAIS MÉDICOS E EDUCAÇÃO MÉDICA CUBANA, BATE PAPO COM A MÉDICA CUBANA MARUCHA
Semana passada tivemos a presença
da Médica Cubana Marucha que falou sobre os Mais Médicos para os nossos
Residentes. Sua fala foi muito elucidativa e trouxe à luz vários elementos para
desmistificação dos vários ruídos produzidos pela mídia, e por vários fakes que
transbordaram nas redes sociais. Durante sua fala nos relatou que em Cuba há 19
Faculdades de Medicina, uma em cada cidade (o que obviamente não é algo que
está colocado no Brasil). Na sua cidade de origem, por exemplo, além da
Faculdade de Medicina, há um Hospital Geral, uma Maternidade, um hospital de
cardiologia, um hospital de nefrologia, um hospital para diabéticos com
complicações, um Hospital Psiquiátrico (lá infelizmente isso ainda é um dado),
o que não é diferente do Brasil que ainda mantém, e um hospital infantil. Lembrando
que a cidade dela tem aproximadamente o tamanho de Apucarana, ou seja, uns 130
mil habitantes. Revela também que todo óbito é apurado e investigado a possível
falha no sistema de saúde. Isso acontece o tempo todo no Brasil?
Nos trouxe à Luz que Cuba leva
saúde para os lugares mais remotos do mundo em que houveram catástrofes
“naturais”, guerras, e epidemias. Muitas vezes Cuba faz isso sem cobrar nenhum
recurso financeiro, já que muitos países não têm dinheiro para bancar salários
para os médicos. Ela mesma já foi à países com conflito, como Nicarágua e Haiti
para prestar cuidado médico. Inúmeros médicos cubanos prestaram assistência na
Epidemia de Ebola na África, mesmo com o risco de morte por uma doença com tão
alta letalidade.
Para vir ao Brasil precisou
deixar seu diploma para avaliação no Consulado, prestou e passou na prova de
conhecimentos médicos realizada por médicos brasileiros, bem como alcançou nota
suficiente de conhecimento da língua portuguesa. Se assim não o conseguisse,
teria que retornar para Cuba. Nenhum médico cubano reprovou na prova de
conhecimentos médicos, a exceção de um que teve que retornar porque não
conseguiu compreender a língua portuguesa suficientemente para passar na prova.
Desde o surgimento do Programa
Mais Médicos, nenhum médico cubano sofreu processo de usuários ou gestores por
ato antiético, o que é bem diferente no Brasil, não é mesmo? Quantos médicos
aparecem nos telejornais denunciados por fraudes em licitações, por fazer
falsas indicações cirúrgicas em próteses para ganhar procedimentos
desnecessários, causando dor e sofrimento para as pessoas? Quantos médicos não
cumprem os horários adequadamente? (os médicos cubanos cumpriam rigorosamente o
horário). Quantas queixas chegam às Ouvidorias Municipais, Estaduais e Federal?
Quem nunca foi mal atendida por um profissional Médico no Brasil?
Segundo ela, o médico cubano tem
uma educação médica rígida, e a humanização é aprendida desde cedo, durante uma
consulta, por exemplo, não há a barreira física da mesa, ou seja, a mesma
posiciona a cadeira ao lado do paciente. Em Cuba, quem quer ser médico e tem
“vocação” para tal, vai ser médico, a única contrapartida do aluno é que ele
estude. Bem diferente do Brasil né? Pois, a maioria dos médicos formados nas
Universidades Públicas brasileiras são alunos advindos da classe média alta, o
que vem mudando lentamente com a introdução das cotas para alunos de escolas
públicas, negres e indígenas.
A contrapartida em deixar para o
Estado a maior parte do salário é porque ela sabe do embargo que sofre o país
por conta dos EUA, e porque essa contrapartida serve como um retorno para os
serviços públicos gratuitos como saúde e educação para a sua família no país de
origem. Difícil de entender? Não! Porque ela é socialista! Só um socialista
entenderia esse desapego financeiro! Ou ao menos um humanista!
Em Cuba se ganha menos? Sim, mas
segundo ela tem todos os direitos sociais garantidos, saúde e educação
públicos, moradia subsidiada, e alimentos custando centavos. Não tem luxo, é
lógico. No Brasil, não temos luxo, nem serviços públicos a contento. Quase não
se ouve falar lá em assassinatos, ou estupros, ou violência de maneira geral.
As penitenciárias garantem os direitos dos presos, e ficam dois detentos por cela.
Há medidas socioeducativas plenamente, e os mesmos trabalham nas lavouras
produzindo alimentos. Suicídio? Praticamente não existe, só ouviu falar de uma
morte de um jovem. Aqui no Brasil? Em alguns lugares é a 3ª ou a 4ª causa de
morte, eu mesma conheço inúmeros casos. Qual sociedade causa mais sofrimento?
Sendo assim, só duvida da
formação médica cubana que é mal intencionado mesmo, disso não tenho dúvida
mais.
Observação: o vídeo foi feito com
consentimento da médica cubana. Não consegui gravar na íntegra a fala.
Jackeline Aristides, Enfermeira
da Saúde Mental, Tutora da Residência Multiprofissional em Saúde Mental
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