Sobre a questão da pessoa com deficiência
Ontem fomos panfletar em uma cidade próxima, e uma pessoa com deficiência intelectual e que estava trabalhando na campanha para um candidato x veio nos interpelar perguntando "quais as propostas de vocês para as APAE". Respondi o seguinte: "que iríamos inserir o maior número de pessoas com deficiência na escola regular". Daí ele fez uma defesa de que estávamos errados, e que a gente era daquela turma que quer fechar todas as APAES. E, emendou dizendo que lá eles têm tudo, cultura, lazer e esporte. Um discurso um tanto quanto pronto, mas, também não posso duvidar da capacidade dele de síntese do processo todo. Mas, também não posso dizer que foi um discurso de pessoas que fazem de tudo para mantê-los nessas instituições totais. Tentei dialogar com ele que todo dinheiro que vai para as APAEs pode ir também para a inclusão nas escolas, com cultura e esporte da mesma maneira. E, que com dinheiro poderemos contratar professores de apoio especializados, incluindo essas pessoas na sociedade (aqui mesmo em Apucarana vi inúmeros casos de sucesso dos professores de apoio que trabalhavam com amor e dedicação, sempre procurando se instrumentalizar para dar o melhor a seus alunos). Conheço um caso próximo de uma pessoa que saiu de uma escola especializada porque acreditava que "passavam pouco conteúdo" para passar no vestibular que ela tanto sonhava. Moral da história, foi para a escola regular e passou no vestibular.Temos que ampliar o debate com as APAES (já que recebem verba pública da educação), ampliar a inserção nas escolas regulares e traçar linhas de cuidado para esse público, já que prestam serviços na saúde. Infelizmente assim como na Saúde Mental, essas pessoas vão sendo inferiorizadas e acreditam que o único local protegido são as "escolas especiais" para eles viverem e estudarem, assim como os manicômios. Daí a dificuldade em entenderem que é possível uma vida lá fora, e que a escola regular com estrutura e apoio ao acolhimento sem preconceito entre toda a escola é essencial para viabilizar essa desconstrução. Só sei que ele ficou pensativo, já que têm uns 40 anos e ainda frequenta a APAE, quando poderia ser inserido em outros equipamentos sociais, ou simplesmente viver a vida como qualquer outra pessoa sem a muleta de uma escola especializada (porque todos nós um dia saímos da escola né?). A Reforma Psiquiátrica não chegou a essas instituições totais como dizia Michel Foucault, assim como nas Instituições de Longa Permanência para idosos (asilos).
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