Contra o Ato Médico imposta aos Enfermeiros Brasileiros e contra a Saúde da População Brasileira


A tentativa de imposição do “Ato Médico” contra a categoria da enfermagem não fere somente aos enfermeiros, mas toda população Brasileira. Essa medida vai totalmente ao desencontro de um cuidado ampliado, em equipe multiprofissional, como o próprio Ministério da Saúde e os renomes da Saúde Coletiva apontam em inúmeros manuais do Ministério. É voltar a um modelo de assistência em saúde voltado ao médico, biomédico, biologicista e marcado pela doença. Recusar esse entendimento é voltar para trás, é trazer o INAMPS de volta com as inúmeras filas, e o pagamento por procedimentos e não por qualidade. Tudo isso só está acontecendo porque o desmonte da saúde pública e das demais políticas públicas estão ocorrendo de cima para baixo, e aproveitam desse momento trágico em que vivemos para baixar medidas autoritárias.
O fato do enfermeiro fazer a solicitação de exames durante o pré natal de doenças como a sífilis, hiv e hepatite B impede que essa gestante desenvolva doenças graves que podem afetar a saúde da mãe e do feto, e que podem levar ao abortamento. Esperar por uma consulta com ginecologista para solicitar um exame leva ao atraso de condutas. Positivado uma doença é óbvio que essa mulher será direcionada ao tratamento com o médico!
Esperar o médico para decidir se solicitamos ou não exames de HIV, tuberculose ou de sífilis no momento em que vivemos de incremento assustador no número de casos novos, é no mínimo irresponsável.
Aguardar o médico para solicitar exames de rotina para diabéticos e hipertensos estabelecidos em protocolos por todo o país é provocar a morbidade e a mortalidade de inúmeras pessoas. Parece que nem é alto o número de óbitos por doenças cardiovasculares! Esses exames são solicitados quando a vigilância em saúde funciona, e onde a responsabilidade sanitária dos enfermeiros é plenamente realizada junto à sua comunidade adscrita. Um exemplo disso são os grupos de hipertensos e diabéticos espalhados pelo Brasil, em que esses exames são monitorados pelo enfermeiro, pelo médicos e equipe multiprofissional. Mas, será que o Conselho Federal de Medicina sabe que existem essas práticas sanitárias do alto das suas salas, no ar condicionado, enfiados dentro de hospitais?
Vamos ter que esperar a ordem do médico para solicitar mamografias em meio ao crescente número de mulheres que tem o diagnóstico de câncer de mama? 
É bom lembrar que todos esses exames que mencionei são exames de rastreamento, e que não queremos tratar ou fazer diagnósticos, até porque não é da nossa competência. A não ser aqueles previstos em protocolos clínicos (doenças sexualmente transmissíveis apresentados no exame citopatológico, por exemplo) e validados por uma equipe multiprofissional, onde há benefício para a mulher o acesso ao tratamento precoce.
Quando é realizado um teste rápido para hiv e ele se configura como reagente, não fornecemos diagnóstico, mas encaminhamos para os serviços de referência para os próximos passos na confirmação ou não da presença do vírus. 
Então, o Conselho Federal de Medicina precisa entender melhor o processo de trabalho do enfermeiro, bem como entender um pouco mais de saúde pública para compreender que todos estes procedimentos que mencionei são preventivos. Fazemos diagnósticos sim, mas diagnósticos de enfermagem. Sugiro entrarem em contato com inúmeras literaturas que falam deste tema, para não se equivocarem.


#MAISCUIDADO#menoscorporativismo

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