Memórias de uma congressista do III Congresso de Saúde Mental realizado em Fortaleza!
Acabou o III Congresso de Saúde
Mental realizado em Fortaleza, ficam os amigos conquistados, as praias
maravilhosas, a arte nas ruas, os sorrisos das pessoas prontas para te ajudar,
ficam também os inúmeros moradores de rua e trabalhadores que fazem de tudo
para ganhar a vida...
Acima de tudo fica para trás o
desânimo, a náusea de encontrar pessoas irritantes, infiltradas, sabotadoras da
luta antimanicomial, pessoas assíduas do moralismo e das comunidades
terapêuticas e dos “hospitais psiquiátricos humanizados”, e que acreditam que
estão promovendo liberdade!
Renovam-me as energias vendo
tantos lutadores e lutadoras da reforma psiquiátrica, e reforcei de quem entra
para a luta, não foge à luta! A saúde mental é militância, e meu caro, que não
é da luta, que se retire!
Muito bom ver experiências
exitosas por todo o Brasil, humanização, práticas desinstitucionalizantes, com
debatedores de peso e inquestionáveis: Paulo Amarante, Ivan de Moura Fé,
Eduardo Morão Vasconcelos, Angél Martínez Hernáez da Espanha, Roberto Mezzina
de Trieste...
Triste ver, e me assustou eu
confesso, me deparar ainda pensamentos recuados, “apolíticos e ahistóricos” de
tantas pessoas, legitimando a internação compulsória em pleno congresso que
falava de subjetividade e luta política! Mas, não deixa de ser um espaço para
debater e de fazer disputa política!
Mais emocionante é ver usuários
falando da mudanças em suas vidas com o tratamento em CAPS, produzindo arte,
emancipando, se libertando e praticando a participação popular!
Escutando a música genial do Hamilton
do “Harmonia Enlouquece”, ver que existe
poesia na luta, Weymar Gomes foi ilustre com a poesia e fechou o congresso com
uma palavra de “força militante de não desista!”
“Porque saúde não se vende, louco
não se prende, quem está doente é o sistema social!”
Volto, volto, porque tenho raízes
aqui, meu avô é uma destas pessoas que vieram para o sul em busca de dignidade,
e que encontrou preconceito mesmo ajudando a construir uma cidade, não é o
pioneiro porque não tem dinheiro!
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