Greve dos médicos, eu apóio!
Greve dos médicos? Eu apóio!
Por Bernardo Pilotto*
A edição da MP colocou mais lenha na fogueira da greve que já estava sendo construída entre os técnico-administrativos em educação (TAE’s), muitos deles trabalhadores de hospitais universitários ou de laboratórios de ensino, que terão salários reduzidos por conta do corte dos adicionais laborais (insalubridade e periculosidade). Em alguns locais, como no Hospital de Clínicas (HC) da UFPR, a indignação chegou a tal ponto que fez médicos, que são integrantes da mesma Carreira e tabela salarial que os demais TAE’s, organizarem uma greve de 4 dias.
O fato de uma categoria tradicionalmente ausente das mobilizações aderir a um movimento com força fez com que muitos setores do movimento sindical e da categoria dos TAE’s tivesse dúvidas se tal greve era legítima e/ou deveria ser apoiada. No dia-a-dia, as relações de trabalho na área de saúde são muito desiguais, longe do estabelecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que prevê a multidisciplinaridade no atendimento e no tratamento.
Não tenho dúvidas que a greve dos médicos merece ser apoiada. Exponho aqui os motivos:
1) A luta dos médicos é parte da luta contra os ataques feitos pela MP 568/12. Esta luta, por ser forte e envolver uma categoria com forte apelo social, é possível de ser vitoriosa. A unificação desta luta com os demais TAE’s será fundamental para que não hajam retrocessos como os colocados pela MP;
2) É verdade que muitos médicos tem consciência atrasada, são conservadores e praticam assédio moral. Mas, infelizmente, isso não é exclusividade dos médicos. Há muitos colegas TAE’s que tem consciência corporativista;
3) É verdade que muitos médicos são proprietários de grandes corporações médicas. Mas é verdade também que o perfil do trabalho médico vem mudando. Jovens médicos formados abrindo clínicas particulares e ganhando muito dinheiro é uma situação cada vez menos real. Cada vez mais, os médicos buscam emprego, são trabalhadores. Além disso, no caso do HC, os médicos são trabalhadores concursados e não donos de fragmentos do HC ou coisa do tipo;
4) O argumento usado atualmente contra os médicos é o mesmo usado há 7 anos atrás contra os TAE’s de nível superior. Quando esses trabalhadores começaram a se mobilizar e a participar do movimento, eram muitas vezes vítimas de ataques nos fóruns do movimento sindical. Venceu a tese de que deveríamos fazer movimento junto, incorporar suas pautas e hoje a maior parte está na linha de frente de greves mobilizações;
5) É verdade que muitos médicos ainda guardam um ranço corporativo e se negam a se reconhecer enquanto TAE’s, assim como diversos setores de nossa categoria. Mas é verdade também que muitos tem reivindicado o SINDITEST, inclusive convidando o sindicato para estar na comissão de mobilização, que muitos tem reivindicado participar da greve unificada que deve começar em 11 de junho;
6) Se não usarmos este momento para convencer a categoria médica de que esta não é intocável e de que é preciso lutar para conquistar e garantir direitos, quando faremos?
Por conta dos motivos expostos acima, não deve haver dúvidas em apoiar este movimento. Chegou a hora de unificar toda a categoria dos técnico-administrativos e os demais trabalhadores do serviço público federal contra a retirada de direitos, pela aprovação das emendas a MP 568/12 apresentadas pelo PSOL e em defesa da recomposição salarial. É desta maneira que iremos superar antigas divergências (sempre incentivadas por aqueles que estão no comando) e garantir novas vitórias para a classe trabalhadora, que tanto necessita de direitos mínimos ainda não garantidos.
*Bernardo Pilotto é técnico-administrativo em educação no HC/UFPR e diretor do SINDITEST. É sociólogo formado pela UFPR e mestrando em Saúde Coletiva na Unifesp.
Comentários
Postar um comentário