A grande marcha

Pablo Neruda

Mas ocorria algo no mundo.
Teu retrato não nos satisfazia.
Era formosa tua pobre majestade,
mas não nos bastava.
A bandeira soviética ondulava
beijada pela própria pólvora
entre corações de homens.
Tu, China, nos faltavas, e através dos mares
ouvimos de repente que a voz do vento
já não cantava só por seus largos caminhos
Incorporava-se Mao
e ao longo da China
e ao longo
de tantos sofrimentos,
vimos subir seus ombros
envoltos pela aurora.
De longe, da América, cuja a margem
meu povo escuta cada onda do mar,
vimos surgir sua tranquila cabeça,
e seus sapatos dirigem-se rumo ao Norte.
Para Yennan com o poeirento traje
se encaminha seu grave movimento:
da China lhe entregavam homens,
pequenos homens, enrugados velhos,
sorrisos infantis.
Vimos a vida.
Não estava só o velho território.
Não era lua de água
enchendo a espectral arqueologia.
De cada pedra um homem,
um novo coração com um fuzil,
e te vimos povoada, China, pelos teus soldados,
pelos teus, enfim, comendo pasto,
sem pão, sem água, andando o cumprimento do dia
para que a aurora pudesse nascer.

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