Sistema de Internação domiciliar não é interessante para a prefeitura?

Falam de extinção porque não (re) conhecem o trabalho da internação domiciliar como de relevância social para os usuários e familiares, voltarão estes para os hospitais?


Sistema de Internação Domiciliar será extinto por falta de médicos
19/08/2011 17:49 Marcelo Frazão

Com 15 anos de existência em Londrina, o Sistema de Internação Domiciliar (SID), serviço médico que acompanha 120 pacientes em casa, deve enfrentar uma inevitável desestruturação. A partir de 5 de setembro, vencem os contratos emergenciais temporários dos profissionais de saúde das cinco equipes do SID (cada uma formada por um médico, um enfermeiro, dois auxiliares de enfermagem). Uma equipe de apoio, com três fisioterapeutas, duas psicólogas, duas assistentes sociais e uma nutricionista também deve ser extinta.
A Secretaria de Saúde diz que o SID só deve ser recomposto após a publicação dos resultados do concurso do último domingo (14), quando quase 4 mil candidatos fizeram teste seletivo para preencher vagas do Programa Saúde da Família (PSF), Samu e do SID. Entretanto, Márcio Nishida, secretário interino, já adianta que possivelmente médicos não existirão em número suficiente para o SID. “Vamos nos esforçar para manter as equipes, mas o SID não é prioridade. Temos que recompor até 75 equipes do PSF, principalmente. O problema é que o número de médicos do concurso aberto já foi insuficiente”, admite. A secretaria abriu três vagas para médicos – só dois se inscreveram e apenas um compareceu para as provas.
Fisioterapeuta do SID, Érica de Magalhães Betito se diz decepcionada com o fim do serviço: “Se nem com cinco equipes atendemos da forma que deveria, imagina quando tudo acabar”, lamenta. Os funcionários do SID foram informados de que em substituição aos 28 profissionais, estarão dois médicos, duas enfermeiras e cinco auxiliares de enfermagem. “Boa parte dos pacientes terá que voltar para o hospital”.
Um deles é o pequeno Miguel de Souza, 5 anos, filho de Sueli Lemes Gonçalves, 28, dedicada integralmente à saúde do filho. Miguel tem uma síndrome que o impede de comer e respirar normalmente e, por isso, precisa de equipamentos mecânicos para sobreviver, bem como de alimentação especial acompanhada por nutricionista e fisioterapia respiratória, entre vários cuidados. A família mora em uma casa simples no Parque das Indústrias Leves, zona sul. “Antes do SID, nossa vida era em hospital. Não queríamos voltar para essa rotina”, entristece-se a mãe. “Sem o atendimento em casa, nada podemos fazer por ele”. É isso aí.

SID de Londrina foi um dos primeiros do Brasil

O SID de Londrina nasceu de forma pioneira no país. Implantado em 1996, visava propor a experiência da humanização do atendimento, evitando a hospitalização e, para pacientes terminais, permitindo que falecessem em casa. Quando o serviço começou em Londrina, apenas as cidades de Santos, Diadema, Niterói e Rio de Janeiro tinham iniciativas semelhantes, mas apenas focadas no acompanhamento de pacientes de Aids. Londrina foi a primeira cidade a ampliar o leque de doenças tratadas, inclusive os de câncer.

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