Epidemiologia crítica com Jaime Breilh
Palestra com o pesquisador latino-americano em Epidemiologia Crítica, Jaime Breilh, reúne docentes, pesquisadores e profissionais de saúde
Na última segunda-feira (15), a APUFPR-SSind realizou, em parceria com o Núcleo de Estudos em Saúde Coletiva da UFPR, a palestra “A epidemiologia crítica e a determinação social do processo saúde-doença”, com o professor e pesquisador equatoriano Jaime Breilh. O evento reuniu cerca de 400 pessoas no auditório de Ciências da Saúde da UFPR, entre representantes sindicais, profissionais, estudantes, docentes e pesquisadores de Curitiba, São Paulo, Ponta Grossa e Cascavel. Jaime Breilh é referência em saúde coletiva e precursor, na América Latina, dos estudos da Epidemiologia Crítica – vertente da área da saúde que se propõe a superar a concepção positivista da saúde, em que se individualiza o processo saúde-doença e no qual o tratamento está voltado para recolocar o adoecido no sistema produtivo. Segundo o especialista, esse modelo tradicional consagra o estilo de vida como sendo uma escolha dos indivíduos, sem levar em conta as condições socioeconômicas e o os modos de vida.
Nessa sociabilidade, a determinação social da saúde precisa ser compreendida para que não nos limitemos à esfera aparente desses fenômenos, na qual só encontramos respostas imediatas que reproduzem e intensificam ainda mais os grandes problemas da humanidade. Para aprofundar as questões em Epidemiologia, de forma crítica, Breihl indica alguns eixos que devem ser considerados nas problematizações e práxis em torno das questões de saúde-doença: condições grupais de trabalho, qualidade e desfrute de bens de consumo do grupo, capacidade objetiva de criar e reproduzir valores culturais e identidade, capacidade objetiva para empoderamento, organização e suporte em benefício, qualidade das relações ecológicas do grupo.
“Existe um paradoxo muito grande. Trabalhamos e estudamos em universidades de ciência da vida e da saúde, mas vivemos em uma civilização da morte. A sociedade, que está estabelecida ao redor do interesse de grandes capitais, tem que necessariamente colocar de lado a construção do ser humano para poder fazer a construção dos negócios e dos grandes monopólios. E a construção dos grandes monopólios só é viável se a saúde humana é convertida em mercadorias que alimentam o sistema”, criticou.
Breilh destacou ainda a conjuntura mundial marcada pela crise econômica, que intensifica a exploração dos trabalhadores e de suas condições de saúde e vida. O professor também citou exemplos de políticas de saúde pública movidas pelo interesse das indústrias farmacêuticas, como é o caso da mobilização midiática e financeira em torno da suposta pandemia de influenza H1N1.
Trabalho e Saúde na UFPR
O docente Guilherme Albuquerque, Diretor Administrativo da APUFPR, conta que além da capacitação teórico-metodológica proporcionada aos pesquisadores e profissionais que participaram da palestra, a realização da atividade e a contribuição do sindicato na organização foram relevantes para a identificação das pautas em comum entre o movimento docente e a defesa de um projeto crítico em saúde coletiva. “Esse evento teve uma importância fundamental, porque mostrou ser possível mobilizar um grande número de pessoas em torno de um debate crítico. Também evidenciou que as lutas da APUFPR-SSind estão ligadas às mesmas bandeiras que a epidemiologia crítica: por um mundo mais solidário, para que as pessoas tenham acesso aos produtos da sociedade, não por meio do consumismo, mais entendido pelo acesso a saúde, educação, moradia e para que o Estado sirva para organizar essa produção e acesso, priorizando a vida e não o lucro”, defendeu. Elizabeth Garzuze, diretora social da APUFPR-SSind, destacou ainda que os instrumentos metodológicos e a perspectiva apresentada por Breilh devem nortear também os estudos sobre saúde e trabalho docente realizados pelo sindicato por meio do GT de Saúde e Seguridade Social. “A palestra veio em um momento muito especial, porque colabora de maneira qualitativa com a nossa preparação para o estudo que estamos desenvolvendo sobre as condições de trabalho e saúde dentro da universidade, utilizando a perspectiva de que o processo de adoecimento está relacionado ao modo de produzir a vida e pelo local que ocupamos no modo de produção”
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