Enfermagem é vítima de machismo de calouros de medicina
Calourada é alvo de polêmica na UFPE
Alunos do 2º período de medicina distribuíram cartazes da festa com imagem de enfermeira sexyNo cartaz, uma ruiva sexy de vestido curtinho, decotão e seringa na boca provoca: "A primeira a gente nunca esquece, mas a segunda é ainda melhor". Com curvas generosas e uma boa pitada de malícia, ela convida para uma festa. A ruiva está vestida de enfermeira. A comemoração é a calourada do curso de medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), marcada para o sábado 28. Os alunos de enfermagem - 90% mulheres - consideraram os cartazes preconceituosos com a profissão e com o sexo feminino. E o Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco (Coren-PE) já avisou: irá ingressar com ação na Justiça por danos morais contra os organizadores do evento. A polêmica foi tão grande que os donos da festa, os alunos de medicina do 2º período, cancelaram a calourada. Antes do anúncio do cancelamento, o evento já havia sido suspenso por determinação da Pró-Reitoria para Assuntos Acadêmios da UFPE. A Reitoria suspendeu, inclusive, todas as demais calouradas até que sejam definidas normas para realização de tais eventos.
Nos corredores do prédio de enfermagem os alunos não escondem a indignação e afirmam que a propaganda macula a imagem dos profissionais da área Foto: Fellipe Castro/Esp. Aqui PE/D.A PressNessa confusão, a turma de medicina do 2º período está isolada. Nem o coordenador do curso defende a atitude dos futuros médicos. "O cartaz é de muito mau gosto e não reflete a posição da coordenação do curso, dos professores, nem da maior parte dos alunos. É uma coisa individualizada, de uma mediocridade e uma banalidade de tal ordem que não deveria nem ter repercussão", disparou Oscar Coutinho. E continuou: "Isso foge completamente à ideia de multiprofissionalidade, no sentido de juntar as profissões na assistência à saúde". A posição do Coren-PE segue a mesma linha. Em um ofício encaminhado ontem ao reitor da UFPE, Amaro Lins, o conselho se posiciona: "os referidos cartazes nada têm a ver com o formando em medicina e se utilizam da figura de uma enfermeira, em dizeres de duplo sentido e em trajes menores, num desrespeito sem tamanho à nobre categoria profissional", diz o texto assinado pelo procurador geral do Coren-PE, Paulo Azevedo. O documento reforça, ainda, que a imagem "macula" os profissionaisda enfermagem como um todo e pede que sejam tomadas medidas para que o evento tenha outra conotação. O ofício foi encaminhado a pedido da presidente do conselho, Célia Arribas. A confusão chegou aos ouvidos da pró-reitora para Assuntos Acadêmicos da UFPE, Ana Cabral, na última quinta-feira, após reunião realizada na Câmara de Graduação dos cursos de saúde, na terça. Ana informou que encaminhou ontem um ofício ao Diretório Acadêmico de medicina solicitando que o material de divulgação fosse recolhido. Segundo alunas de enfermagem, dois cartazes estavam circulando na universidade e na internet. Em e-mail encaminhado ao Diario, uma estudante diz que a seringa na boca da enfermeira é uma imagem fálica. No Orkut, outra aluna reclama: "não se pode mais ter essa imagem da profissão. São 87 anos de enfermagem como curso superior no Brasil e 60 anos na UFPE. Já se passou tempo suficiente para que a enfermagem receba o devido reconhecimento", escreveu Hítala Evinlyn. Nos corredores do prédio de enfermagem as alunas estavam indignadas. "Não queremos confronto com os alunos de medicina. Estamos desconfortáveis com a atitude de um grupo", disse a tesoureira do Diretório Acadêmico de Enfermagem, Rutheanne Melo de Siqueira, 22 anos. "Esse posicionamento é um desrespeito à categoria e à mulher. Eles deveriam conhecer a história da enfermagem antes de vulgarizar a nossa imagem ", disse Amanda Tabosa, 21 anos, 6º período. A presidente do Sindicato dos Enfermeiros de Pernambuco, Olímpia Domingues, orientou os alunos a denunciar o caso aos órgãos nacionais de enfermagem.
Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/08/21/urbana7_0.asp
Alunos do 2º período de medicina distribuíram cartazes da festa com imagem de enfermeira sexyNo cartaz, uma ruiva sexy de vestido curtinho, decotão e seringa na boca provoca: "A primeira a gente nunca esquece, mas a segunda é ainda melhor". Com curvas generosas e uma boa pitada de malícia, ela convida para uma festa. A ruiva está vestida de enfermeira. A comemoração é a calourada do curso de medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), marcada para o sábado 28. Os alunos de enfermagem - 90% mulheres - consideraram os cartazes preconceituosos com a profissão e com o sexo feminino. E o Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco (Coren-PE) já avisou: irá ingressar com ação na Justiça por danos morais contra os organizadores do evento. A polêmica foi tão grande que os donos da festa, os alunos de medicina do 2º período, cancelaram a calourada. Antes do anúncio do cancelamento, o evento já havia sido suspenso por determinação da Pró-Reitoria para Assuntos Acadêmios da UFPE. A Reitoria suspendeu, inclusive, todas as demais calouradas até que sejam definidas normas para realização de tais eventos.
Nos corredores do prédio de enfermagem os alunos não escondem a indignação e afirmam que a propaganda macula a imagem dos profissionais da área Foto: Fellipe Castro/Esp. Aqui PE/D.A PressNessa confusão, a turma de medicina do 2º período está isolada. Nem o coordenador do curso defende a atitude dos futuros médicos. "O cartaz é de muito mau gosto e não reflete a posição da coordenação do curso, dos professores, nem da maior parte dos alunos. É uma coisa individualizada, de uma mediocridade e uma banalidade de tal ordem que não deveria nem ter repercussão", disparou Oscar Coutinho. E continuou: "Isso foge completamente à ideia de multiprofissionalidade, no sentido de juntar as profissões na assistência à saúde". A posição do Coren-PE segue a mesma linha. Em um ofício encaminhado ontem ao reitor da UFPE, Amaro Lins, o conselho se posiciona: "os referidos cartazes nada têm a ver com o formando em medicina e se utilizam da figura de uma enfermeira, em dizeres de duplo sentido e em trajes menores, num desrespeito sem tamanho à nobre categoria profissional", diz o texto assinado pelo procurador geral do Coren-PE, Paulo Azevedo. O documento reforça, ainda, que a imagem "macula" os profissionaisda enfermagem como um todo e pede que sejam tomadas medidas para que o evento tenha outra conotação. O ofício foi encaminhado a pedido da presidente do conselho, Célia Arribas. A confusão chegou aos ouvidos da pró-reitora para Assuntos Acadêmicos da UFPE, Ana Cabral, na última quinta-feira, após reunião realizada na Câmara de Graduação dos cursos de saúde, na terça. Ana informou que encaminhou ontem um ofício ao Diretório Acadêmico de medicina solicitando que o material de divulgação fosse recolhido. Segundo alunas de enfermagem, dois cartazes estavam circulando na universidade e na internet. Em e-mail encaminhado ao Diario, uma estudante diz que a seringa na boca da enfermeira é uma imagem fálica. No Orkut, outra aluna reclama: "não se pode mais ter essa imagem da profissão. São 87 anos de enfermagem como curso superior no Brasil e 60 anos na UFPE. Já se passou tempo suficiente para que a enfermagem receba o devido reconhecimento", escreveu Hítala Evinlyn. Nos corredores do prédio de enfermagem as alunas estavam indignadas. "Não queremos confronto com os alunos de medicina. Estamos desconfortáveis com a atitude de um grupo", disse a tesoureira do Diretório Acadêmico de Enfermagem, Rutheanne Melo de Siqueira, 22 anos. "Esse posicionamento é um desrespeito à categoria e à mulher. Eles deveriam conhecer a história da enfermagem antes de vulgarizar a nossa imagem ", disse Amanda Tabosa, 21 anos, 6º período. A presidente do Sindicato dos Enfermeiros de Pernambuco, Olímpia Domingues, orientou os alunos a denunciar o caso aos órgãos nacionais de enfermagem.
Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/2010/08/21/urbana7_0.asp
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