Saúde Mental, Reforma Psiquiátrica e Luta Antimanicomial
Compartilho com vocês texto final sobre saúde mental que elaborei para o programa de governo do PSOL- Partido Socialismo e Liberdade
Saúde Mental, Reforma Psiquiátrica e Luta Antimanicomial
A história da psiquiatria mostrou ao longo dos séculos várias conceituações de “Louco” e tratamento a estas pessoas. Na antiga Grécia tínhamos os loucos sendo tratados como cidadãos e por isto mesmo poderiam tranquilamente freqüentar a Pólis. Anos depois Hipócrates avançou cientificamente, colocando a doença mental relacionada aos “humores” secretados pelas glândulas. Na Idade Média temos um retrocesso, onde a Igreja passa a tratar os “doentes mentais” como impuros, endemoniados e por isto mesmo passíveis de serem exorcizados, para pagar penitência e alcançar o “reino dos céus” deveriam fazer jejuns prolongados e muita oração. Séculos depois, o médico francês Phillipe Pinel rejeitou as práticas que traziam choque térmico e injúrias aos pacientes e instaurou a observação dos mesmos para um tratamento apropriado. Na década de 70 temos a inauguração de uma nova visão para as pessoas em sofrimento psíquico, o psiquiatra Franco Basaglia fecha os manicômios na cidade de Trieste na Itália, libertando os pacientes para convívio social. Sua orientação anarquista deixava claro que ninguém havia nascido para morar em um hospital, e qualquer forma de institucionalização proposta pelo Estado era prejudicial à cura e reabilitação. Na mesma época no Brasil, temos os estudos de Nise da Silveira, psiquiatra e comunista do PCB, que também já apontava rumos no sentido da desospitalização e terapias promovidas por toda a equipe multiprofissional. A criação do primeiro Caps- Centro de Atenção Psicossocial no Brasil em 87, juntamente com a promulgação da 8ª Conferência Nacional de Saúde e a promulgação da Constituição de 88 que estabelecia o SUS como política de Estado, ajudou no processo de construção da luta antimanicomial. Tal luta tem como premissas a desospitalização, e as diretrizes do SUS como integralidade, equidade e universalidade, bem como traz um resgate sobre a saúde mental dos trabalhadores de forma geral. A luta antimanicomial emana dos usuários, família e profissionais de saúde mental, e ainda encontra nos dias de hoje o forte adversidade do lobby das indústrias multinacionais farmacêuticas e do corporativismo médico que quer a todo custo deter a hegemônia do acompanhamento dos usuários de saúde mental. O enfrentamento do partido socialista neste sentido, deve ser a do combate aos proprietários de hospitais privados que propagandeiam a prática hospitalocêntrica como norteadora da política de saúde mental, juntamente com o acúmulo crescente de recursos advindos do SUS para ampliação de vagas nestes hospitais.
Trazendo este problema para a realidade local temos o Paraná como o quarto estado brasileiro em número de leitos psiquiátricos, e conta apenas com 22 CAPS em todo o Estado, existindo apenas três residências terapêuticas. A construção de leitos psiquiátricos
Fonte da foto: http://saudementales.wordpress.com/2007/05/20/mobilizacao-na-ufes/
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