Haiti: subimperialismo brasileiro, bárbarie e preconceito étnico


Com a tragédia anunciada no Haiti vários temas podemos apreender. O primeiro que eu gostaria de abordar é o da morte da humanista Zilda Arns, a médica teve um importante papel na mobilização da erradicação da mortalidade infantil, diminuiu drasticamente o coeficiente de mortalidade infantil que era maior que 100 em 1000 nascidos vivos em Florestópolis para um coeficiente de 22/1000. Lógicamente que ela não fez isso sozinha, contou com a força e luta de vários voluntários, mas também não podemos negar que sua tarefa nunca o fez nenhum governo que gasta pouco e mal com a saúde. Quero também ponderar que sua morte acabou lançando uma nuvem de poeira na mídia nacional, parece também que é intencional esconder a maior catástrofe mundial dos últimos anos. Esconde também a ocupação das tropas brasileiras no Haiti que é ilegítima, já que fere a soberania do povo, fazendo uma análise verificaremos que isso se trata do subimperialismo brasileiro com os irmãos haitianos, pois a exemplo estadunidense o que vemos no Haiti nos remete ao Afeganistão e Iraque. Em seis anos de ocupação brasileira o que vemos é a perpetuação da fome e da bárbarie que continuam reinando sobre o povo haitiano. É cruel vermos soldados com armas empunhadas ao lado de crianças famintas. Para encerrar coloco uma análise de um grupo da Unicamp que está no Haiti para um estudo de campo, bem como a fala do cônsul do Haiti em São Paulo que expressa o racismo e o preconceito contra as religiões afrodescendentes.

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Haiti: estamos abandonados


O estudante e militante do PSTU, Otávio Calegari, está no Haiti com um grupo de pesquisadores realizando estudo de campo no país. Otávio está testemunhando o caos que impera no país arrasado e o verdadeiro caráter da ocupação militar liderada pelo Brasil. Leia a seguir um texto publicado no blog do grupo de estudantes.A noite de ontem foi a coisa mais extraordinária de minha vida. Deitado do lado de fora da casa onde estamos hospedados, ao som das cantorias religiosas que tomaram lugar nas ruas ao redor e banhado por um estrelado e maravilhoso céu caribenho, imagens iam e vinham. No entanto, não escrevo este pequeno texto para alimentar a avidez sádica de um mundo já farto de imagens de sofrimento.O que presenciamos ontem no Haiti foi muito mais do que um forte terremoto. Foi a destruição do centro de um país sempre renegado pelo mundo. Foi o resultado de intervenções, massacres e ocupações que sempre tentaram calar a primeira república negra do mundo. Os haitianos pagam diariamente por esta ousadia.O que o Brasil e a ONU fizeram em seis anos de ocupação no Haiti? As casas feitas de areia, a falta de hospitais, a falta de escolas, o lixo. Alguns desses problemas foram resolvidos com a presença de milhares de militares de todo mundo?A ONU gasta meio bilhão de dólares por ano para fazer do Haiti um teste de guerra. Ontem pela manhã estivemos no BRABATT, o principal Batalhão Brasileiro da Minustah. Quando questionado sobre o interesse militar brasileiro na ocupação haitiana, Coronel Bernardes não titubeou: o Haiti, sem dúvida, serve de laboratório (exatamente, laboratório) para os militares brasileiros conterem as rebeliões nas favelas cariocas. Infelizmente isto é o melhor que podemos fazer a este país.Hoje, dia 13 de janeiro, o povo haitiano está se perguntando mais do que nunca: onde está a Minustah quando precisamos dela?Posso responder a esta pergunta: a Minustah está removendo os escombros dos hotéis de luxo onde se hospedavam ricos hóspedes estrangeiros.Longe de mim ser contra qualquer medida nesse sentido, mesmo porque, por sermos estrangeiros e brancos, também poderíamos necessitar de qualquer apoio que pudesse vir da Minustah.A realidade, no entanto, já nos mostra o desfecho dessa tragédia – o povo haitiano será o último a ser atendido, e se possível. O que vimos pela cidade hoje e o que ouvimos dos haitianos é: estamos abandonados.A polícia haitiana, frágil e pequena, já está cumprindo muito bem seu papel – resguardar supermercados destruídos de uma população pobre e faminta. Como de praxe, colocando a propriedade na frente da humanidade.Me incomoda a ânsia por tragédias da mídia brasileira e internacional. Acho louvável a postura de nossa fotógrafa de não sair às ruas de Porto Príncipe para fotografar coisas destruídas e pessoas mortas. Acredito que nenhum de nós gostaria de compartilhar, um pouco que seja, o que passamos ontem.Infelizmente precisamos de mais uma calamidade para notarmos a existência do Haiti. Para nós, que estamos aqui, a ligação com esse povo e esse país será agora ainda mais difícil de ser quebrada.Espero que todos os que estão acompanhando o desenrolar desta tragédia também se atentem, antes tarde do que nunca, para este pequeno povo nesta pequena metade de ilha que deu a luz a uma criatividade, uma vontade de viver e uma luta tão invejáveis.Leia o blog dos estudantes no Haiti - http://lacitadelle.wordpress.com/


CÔNSUL DO HAITI EM SÃO PAULO DIZ QUE O TERREMOTO FOI BOM. PORQUE O POVO DE LÁ FAZ MACUMBA E QUE O AFRICANO EM SI TEM MALDIÇÃO.

O cônsul geral do Haiti em São Paulo, Gerge Samuel Antoine diz em canal de TV:

"A desgraça de lá está sendo uma boa pra gente aqui, fica conhecido. Acho que de, tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo... O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano lá tá f..."

Confira na íntegra a matéria e o vídeo

http://br.noticias.yahoo.com/s/15012010/48/manchetes-consul-haiti-sao-paulo-diz.html

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