Aluguel mais caro de SP é de cortiço

Num momento em que falamos tanto em moradia popular, vale a pena ler esta matéria de Bruno Paes Manso sobre o processo de cortiços na cidade de São Paulo. Ao ler o conteúdo veio à mente o livro "O Cortiço", só que no contexto do século 21.

O Estado de São Paulo
http://www.estadao. com.br/estadaode hoje/20090412/ not_imp353477, 0.php

Aluguel mais caro de SP é de cortiço
Por cômodos de até 10 m², pagam-se até R$ 280 mensais; governos buscam
opções para favorecer inquilinos

Bruno Paes Manso

Moradias antigas, a maioria dos anos 30 e 40, os cortiços têm banheiros
coletivos, cozinhas no quarto e servem de casa para pessoas com renda em
torno de R$ 700. Mesmo em condições precárias, os moradores dos cerca de 2
mil imóveis que funcionam como pensões informais e estão espalhados pelos
dez distritos das Subprefeituras da Sé e da Mooca pagam o mais alto valor
de aluguel por m² da capital paulista.

Por cômodos com tamanho médio de 10 m², os habitantes de cortiços pagam em
média R$ 28 por m² na Subprefeitura da Sé, na região central, e R$ 21 na
Subprefeitura da Mooca, na zona leste. Segundo dados do Sindicato da
Habitação de São Paulo (Secovi-SP), o valor mais alto de aluguel no
Município é cobrado na região sul, nos bairros de Jardins, Moema e Morumbi,
entre outros, onde o m² de um apartamento de quatro quartos sai por R$ 23.

"O aluguel dos cortiços nunca perdeu a vitalidade. Ele atende pessoas sem
acesso ao mercado formal, que não têm fiador nem carteira assinada para
alugar uma casa e precisam morar no centro, perto de onde estão empregos e
serviços sociais", explica o secretário executivo do Centro Gaspar Garcia
de Direitos Humanos, o arquiteto Luiz Kohara, que vai defender neste mês
tese de doutorado na Universidade de São Paulo sobre os cortiços em São
Paulo.

"Comparando o preço por m², o
cortiço é caro.

Bruno Paes Manso

Na escuridão, Libânio Clementino de Jesus, de 47 anos, recebe a visita
inesperada. Os funcionários da Prefeitura se surpreendem com as péssimas
condições. Há fios expostos perto de água e um barraco, sustentado por duas
vigas de madeira, fica suspenso em um corredor, ameaçando despencar na
cabeça dos que passam. Quatro crianças chegam para saber o que se passa.

Bruno Paes Manso

No começo do século passado, os proprietários de cortiços eram chamados de
"senhorios" e os zeladores que administravam a cobrança de aluguel eram os
"gatos". "Miolos de quarteirão" designavam os lotes estreitos e compridos
usados na construção das moradias coletivas. Mais de um século depois, se
os termos mudaram, a realidade dos cortiços continua semelhante.

A maioria das habitações permanece nos distritos de sempre, como Bela
Vista, Bom Retiro, Liberdade, Santa Cecília, Brás e Belém, grande parte em
lotes e casas de antigamente. Os intermediários ou donos de imóveis
continuam ganhando dinheiro no aluguel de habitação popular de baixa
qualidade. É possível até mesmo encontrar portugueses à frente do negócio -
o povo que criou o termo "cortiços" (originalmente usado pelos apicultores
em Portugal como sinônimo de casas de abelha) e juntamente com os italianos
popularizou esse tipo de moradia em São Paulo.

Quem acaba recebendo dinheiro fácil são os proprietários das casas.

VERTICALIZAÇÃO

O arquiteto Nabil Bonduki explica que muitos cortiços funcionam só enquanto
os proprietários aguardam a valorização dos terrenos no mercado
imobiliário. Na Subprefeitura da Mooca, depois da corrida das
incorporadoras para verticalizar o bairro, foram fechados 293, de acordo
com a Secretaria Municipal Habitação.


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